O que é uma Ciclorrota

Ciclorrotas são vias calmas

Antes de tudo, eis um tema recorrente que precisávamos dispensar um tempo para refletir: o que é uma ciclorrota.
Infelizmente, no Brasil, temos o equivocado costume de usar palavras que não correspondem ao significado que queremos dar a um pensamento. É o caso do termo sustentabilidade, por exemplo, que usamos para tudo, mas poucos sabem o que significa. Atualmente, presenciamos o uso indevido do termo “ciclorrotas”, o que leva a interpretações ainda mais distantes da realidade.

Ciclorrotas não são caminhos recreativos!
Ciclorrota em Gramado no RS. Foto: Ivan Mendes © Lobi Ciclotur

Caminhos cicloturísticos não são ciclorrotas

Portanto, as ciclorrotas não são caminhos turísticos nem cicloturísticos. Da mesma forma, esses caminhos cicláveis não são segregações físicas de traçado. Ciclorrotas são infraestruturas cicloviárias definidas por caminhos calmos e com pouco tráfego automotor, já existentes e usados comumente por ciclistas. Assim como, estes caminhos são devidamente mais seguros que os demais, onde os ciclistas possam andar na via, que é o seu lugar de direito. E, invariavelmente, as ciclorrotas são caminhos compartilhados com indicações de tráfego calmo que informem aos condutores de veículos automotores que há ciclistas na via, e por consequência, há risco à vida.

Caminhos urbanos cicláveis e compartilhados.
Sharrows, and traffic calming. Imagem Ilustrativa

Então, o que é uma ciclorrota?

Em síntese, ciclorrotas não são uma nova forma de falar sobre caminhos rurais que objetivam o cicloturismo, portanto, não vamos dar uma de Odorico Paraguaçu inventando uso para palavras que não correspondem ao seu significado.  Mas, o que é uma Ciclorrota?  Em suma, são caminhos urbanos que oferecem condições seguras de interconexão com percursos que satisfaçam a necessidade de fruição dos ciclistas pelas cidades.

Ciclorrota no Bairro Menino Deus em Porto Alegre. Foto: Ivan Mendes – Lobi Ciclotur

Interligando vias urbanas

Muitas vezes, as ciclorrotas interligam eixos de outras ciclo-estruturas maiores, como ciclovias e ciclo-faixas. Enfim, funcionam usando a licença de uma metáfora, como “buracos de minhoca” entre as dimensões do trânsito nas cidades, quase que um atalho no espaço-tempo da urbe que viabilize a ciclomobilidade.

Ciclorrota interligando vias urbanas de Porto Alegre
Ciclorrota e ciclovia em via calma e compartilhada em Porto Alegre/RS. Foto: Ivan Mendes © Lobi Ciclotur

Ciclorrotas não são caminhos recreativos

Simultaneamente, a sinalização de tais atalhos urbanos podem, e devem, ser sinalizadas horizontal e verticalmente, informando todos os sujeitos do trânsito, inclusive pedestres. Além das placas e sinais luminosos de comunicação ativa, o uso de sharrows e bikeboxes complementam a identificação destes trechos como de presença e preferência de ciclistas, e amplificam a segurança na via.

Sinalização de ciclorrota em caminho ciclável e compartilhado
 Sinalização para via calma e compartilhada. Foto: Ivan Mendes © Lobi Ciclotur

Equívocos de conceito

Todavia, esses são erros de avaliação que ocorrem frequentemente na imprensa e mesmo entre “especialistas” em trânsito (automotivo). Definitivamente, quem não usa a bicicleta em seus deslocamentos costuma ter dificuldade para compreender conceitos simples, porém incomuns para quem está acostumado apenas a dirigir ou usar o transporte público.

O vídeo mostra os perigos de uma ciclorrota. Veja.

Ciclorrotas e a mobilidade urbana

Contudo, são rotas sinalizadas para tornar mais seguro o deslocamento de quem utiliza a bicicleta como meio de transporte, quando o ciclista precisar passar por aquela região – mesmo que seu destino seja outro lugar e ele esteja por ali de passagem. Por isso ela não se parece com um caminho para passeio, nem com uma ligação entre dois pontos. Em vista disso, a ciclorrota é pensada para ser parte do trajeto.

Afinal, não se trata de um caminho recreativo que une dois pontos de interesse. São traçados compartilháveis onde o ciclista está na via por direito, valendo-se do traffic calming.

Então, gente, vamos colaborar para que os termos que contribuem com uma cidade mais humana sejam aplicados onde são necessários e urgentes.
A vida de ciclistas agradece. E nós, também!

Edição e produção: Ivan Mendes – Texto: Therbio Felipe

© Lobi Ciclotur

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LOBi
Oi, eu sou o LOBi! Estou aqui para aliar natureza e caminhos alternativos para você e sua família descobrirem o mundo do ponto de vista da bicicleta.

6 Responses

    1. 🙂 Estamos sempre aprendendo e compartilhando saberes com fundamento. 🚴‍♂️ E agora, quando vamos pedalar Iwerson !??🚴‍♂️🚴‍♂️🚴‍♀️🚴‍♂️

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